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Gestão de Emoções

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Por diversas ocasiões, ao longo do meu percurso como psicóloga, surge o apelo por parte dos pacientes sobre como hão-de controlar e gerir as suas emoções, em especial as negativas – raiva, tristeza, angústia, medo… São emoções que dominam, causam “dor” no corpo, aprisionam, paralisam os movimentos e, regra geral, causam tal incómodo que o ser humano sente repulsa e faz um esforço de anulamento, evitamento e minimização. Tal processo também se deve à falta de aprendizagem, devendo ter início na infância, quando os impulsos mais virgens surgem e necessitam, por parte dos cuidadores, de atuação imediata para assim “se educarem”. Um pai/mãe ou cuidador deve, por si só, enquanto adulto, ter aprendido sobre como se gerem e se lidam com as emoções para assim melhor ensinar o seu filho essa matéria tão complexa e essencial à vida futura. Porém, se não dominamos, não podemos ensinar o que quer que seja! Afinal, como podemos, nós adultos, manejar as nossas emoções para melhor educarmos os nossos filhos?

Em primeiro lugar, existem dois tipos de emoções: emoções primárias e as emoções secundárias. As emoções primárias ou inatas (que todo o indivíduo saudável possui) são seis: alegria, tristeza, medo, nojo, surpresa e raiva. As emoções secundárias ou aprendidas em sociedade são conjugações das primárias, podendo ser o ciúme, a inveja, o rancor, o amor… Gerir as emoções primárias é simples: apenas reconhecer, sentir e falar sobre elas. Toda a emoção negativa é útil desde que não atinja extremos. Sentir tristeza aguça o pensamento e a reflexão; sentir medo acautela-nos para os perigos; sentir nojo impede-nos de ingerir ou inalar aquilo que supostamente nos faria mal; sentir surpresa permite-nos ficar vigilantes em situações inesperadas para melhor atuarmos e nos defendermos; sentir raiva acresce-nos de energia para lidar com situações emocionalmente intensas e melhor superarmos.

Em segundo lugar, toda a emoção tem um caráter transitório, ou seja, tanto vem como passa. Persistir já estaria num campo diferente de psicopatologia. Quando fazemos um controlo inibitório ou hipercontrolamos os nossos sentimentos, apenas estamos a aumentar a sua intensidade, pois que do esforço de fuga, estamos a forçar uma atenção desnecessária, útil para outras circunstâncias mais pertinentes do dia-a-dia. Tal também se aplica às emoções secundárias, porém, sendo mais complexas, exigem uma exteriorização verbalizada para as neutralizar, além de que muitas delas se reportam a vivências passadas que apelam por uma tomada de consciência e aquisição de sentido.

Posto isto, não devemos ter vergonha do que sentimos, devemos expressar por palavras e gestos os nossos sentimentos, devemos dar atenção ao que sentimos e devemos sim utilizar as emoções como ferramentas necessárias e úteis ao invés de serem inimigos que a todo o custo tentamos destruir.

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